15/06/2018 • 00:00

Uma das coisas mais encantadoras para quem curte música, é tentar entender o alcance e a longevidade de uma banda, de uma canção. A cena a seguir aconteceu numa “boomtown” brasileira, no coração da Amazônia. Você está ali no único bar do lugar que não toca música ruim a noite toda. Rola um Cazuza, um Titãs, um Paralamas, mas o recheio da playlist é composto por Anittas e duplas sertanejas. De repente, do anda, o DJ solta “Sweet home Alabama”. Surprise, cowboy? O povo se alvoroça e taca a cantar (pelo menos o refrão, ou parte dele). Ouve-se o bar inteiro se esgoelando: “Sweet home Alabama, lá, lá, lá...”. Sim, meus amigos, Lynyrdy Skynyrd cantado a plenos pulmões, aos pés da Floresta Nacional de Carajás.


Corte seco. São Paulo. Um ano depois da cena acima, o In-Edit, festival de documentários musicais, traz o recém-lançado “If I Leave Here Tomorrow: a Film About Lynyrd Skynyrd”, do diretor americano Stephen Kijack. O título do filme remete ao primeiro verso do segundo maior sucesso da banda, “Free Bird” (Se eu partisse amanhã).


A banda lotava estádios nos anos 70, vendia discos a rodo, quando um trágico acidente aéreo dizimou metade da banda e parte do staff: equipe de som, roadies, etc. No documentário, os sobreviventes contam a trajetória do grupo, o trauma pós acidente e a volta (Por cima?). Calma, não vamos dar spoiler.

Assista um show de 1976, na íntegra, um ano antes do trágico acidente.


Não importa se você só sabe cantar o refrão de “Sweet Home Alabama”, como os fregueses daquele bar. Se você gosta de rock, não pode perder um dos melhores filmes do Festival. Sua última chance é amanhã (sábado, dia 16) às 17h, na Cinemateca Brasileira.


Domingo, o In-Edit se despede desta edição com um clássico de 1984, que será exibido Open Air, às 20h, na mesma Cinemateca. “Stop Making Sense”, do diretor Jonathan Demme, com o vocalista do Talking Heads, David Byrne.