chico buarque

Chico Buarque Turnê Caravanas

CHICO BUARQUE 


"Minha embaixada chegou/ Deixa meu povo passar". Assim, tomando para si a canção de Assis Valente, Chico Buarque anunciava - no dia 13 de dezembro, em Belo Horizonte - a estreia da turnê Caravanas . O sucesso se explica não só pela expectativa naturalmente criada em torno dos shows de Chico, afastado dos palcos desde 2012. O álbum Caravanas (lançado pela Biscoito Fino) foi apontado por muitos como um dos melhores do ano, assim como a canção As caravanas - tomada desde o nascimento como um dos grandes clássicos da obra do compositor. Além disso, o show mostra um Chico dialogando com seu tempo de forma aguda, como em alguns dos períodos mais marcantes de sua carreira. E aqui a expressão "seu tempo" tem sentido duplo. Por um lado, trata do momento de tensão política e social que o Brasil e o mundo atravessam. Por outro, "seu tempo" diz respeito ao tempo que o artista procura afirmar no palco, acima de qualquer cronologia. O "tempo da delicadeza", como escreveu ele sobre a melodia de Cristóvão Bastos em Todo o sentimento - não por acaso, presente no repertório. Depois de pedir permissão para seu povo passar, Chico deixa claro quem chama de seu povo. Ele está presente em Mambembe , declaração de princípios e louvação à figura do artista - recentemente tratado como vagabundo em debates acalorados neste presente que Chico transcende no palco. Está também nos malandros de Partido alto e A volta do malandro assim como na involuntária heroína, duplamente violentada, de Geni e o zepelin . E, em definitivo, nos mestres e colegas listados em Paratodos. A grandeza do que se vê no palco, porém, não se resume às canções. Chico é sustentado por uma banda primorosa, que, a partir dos arranjos de Luiz Claudio Ramos , parece se multiplicar. Ela é formada por João Rebouças (piano), Bia Paes Leme (teclados e vocais), Chico Batera (percussão), Jorge Helder (contrabaixo), Marcelo Bernardes (flauta e sopros) e Jurim Moreira (bateria), além do próprio Luiz Claudio Ramos (violão). Também constroem o espetáculo a luz de Maneco Quinderé , os figurinos de Marcelo Pies e o cenário de Helio Eichbauer , formado por um jogo de oito cordas entrelaçadas - que formam diferentes desenhos e movimentos e mudam de tom de acordo com a iluminação - e “uma esfera armilar que flutua no espaço azul como algum sistema planetário”, como ele mesmo descreve. O show que o público poderá presenciar agora traz um artista com plena consciência do tempo (dos tempos), como o personagem de Jogo de bola - outra pérola da safra mais recente. Mas que sabe ser, simultaneamente, aquele craque que tem a experiência do passado ("Outrora, quando em priscas eras/ Um Puskás eras") e o garoto que ainda é capaz de inventar dribles ("O tique-taque, o pique, o breque"). 

FORTALEZA Local: Centro de Eventos do Ceará. Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz - Datas: 21 e 22 de setembro (sexta e sábado)  - Abertura da casa: 20h  - Horário: 21h30

JOÃO PESSOA Local: Teatro Pedra do Reino - Rod. PB-008, Km 5, Distrito Industrial do Turismo Jacarapé - Datas: 18 E 19 de setembro (terça-feira)  -Abertura da casa: 20h - Horário: 21h

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